
Coringa, de Brian Azzarello, é uma boa HQ. Não achei fantástica, mas é uma história legal, sem muitas reviravoltas, mas é boa.
A atração principal dessa HQ, que me chamou mais atenção do que o próprio roteiro, foi a arte de Bermejo, Mick Gray e Patricia Mulvihill, que fizeram um Coringa "Heath Ledger", usando muito bem cores de ambientação, arte-final impecável, desenhos em nanquim de Mick, e outros estilo pintura de Bermejo, que casaram perfeitamente.
Nessa história, como diz o título, o personagem principal é o vilão. Ele está saindo do Asilo Arkham, e encontra Gotham "mal-administrada" pelos seus antigos aliados. E com a ajuda do coadjuvante puxa-saco Johnny Frost, ele tenta recuperar tudo o que perdeu enquanto esteve internado. Vai ao encontro de velhos "amigos" como Crocodilo, Charada e Pinguim.
É uma história muito boa, se não compararmos com outras histórias como "A Piada Mortal" ou "Asilo Arkham". Talvez essas histórias anteriores me fizeram esperar mais do roteiro de "Coringa", e no fim não foi bem como eu esperava, ou seja foi "esperado" demais.
Coringa - de Brian Azzarello
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Nos Bastidores de Watchmen - Dave Gibbons

Esse post tem um gostinho especial! E não é porque adoro o universo de Watchmen, e sim porque esse foi o meu presente de dia dos namorados (muitooo obrigado, meu amor!)
"Nos Bastidores de Watchmen" é de autoria de Dave Gibbons, o parceiro de Alan Moore, que desenhou e elaborou todo o visual dos personagens e os cenários da "América alternativa" da melhor Graphic Novel de todos os tempos. No livro ele publicou seus rascunhos, e cópias do roteiro original datilografado por Moore (sim, na época era com máquina de escrever). Gibbons também escreve sobre seu encontro com Moore e suas experiências em desenhar e dar "vida" aos personagens.
Para os fãs de Watchmen é um livro essencial! Ver o Dr. Manhattan, Rorschach, Comediante, Coruja e todos os outros ainda em rabiscos feitos a lápis é muito legal. O trabalho de colorização, elaboração dos uniformes, as capas de cada volume e o famoso "smiley", é tão empolgante que terei que ler Watchmen pela milionésima vez, e com certeza verei outros detalhes, com outros olhos.
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O Alienista, de Machado de Assis - HQ

Há três critérios básicos que me fazem gostar ou não de uma HQ, um é o roteiro, outro é a arte e o terceiro (que é ligado aos dois primeiros critérios) é a mensagem que a história consegue passar através da arte e o roteiro. Se nessa mensagem, existir um conteúdo que me faça refletir, pensar, aprender e emocionar, eu considero uma HQ perfeita, um verdadeiro clássico. Ou seja, eu não aprecio aquela coisa que já vem "mastigada, digerida e outras coisas mais...rs". Mesmo quando a questão é humor, eu gosto de humor inteligente, aquela piada que não é explicada...rs
Enfim, estou falando dos critérios, porque acabei de ler uma história que por si só já é maravilhosa, seu autor é nada menos que Machado de Assis. E quando peguei ela em formato de quadrinhos, antes de comprar, dei uma passada rápida de olhos pelas páginas e vi que não se tratava de um "Livro Ilustrado", apesar das palavras serem completamente no estilo "machadiano". A narração e os diálogos estão impecáveis.
A arte foi realizada pelos irmãos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá. E os estilos de desenho e pintura fizeram toda a diferença, entre as imagens com personagens muito bem desenhados, cenários da época e tudo mais, a colorização é toda em tom sépia (mesclando o preto, marrom e amarelo). De acordo com entrevistas que li sobre eles, disseram que precisaram desenhar os personagens da forma como imaginavam, pois a única pessoa que tem descrição física é a esposa do personagem principal Simão Bacamarte, a Dona Evarista.
O Alienista de Machado de Assis foi publicado em 1882, no livro Papéis Avulsos, onde usa a loucura para fazer uma verdadeira sátira da sociedade, política e a ciência do fim do século 19. Na Vila de Itaguaí, o Dr. Simão Bacamarte aprofunda seus estudos sobre a mente humana e lá constrói a "Casa Verde", um lugar para abrigar os loucos mentecaptos. No decorrer do tempo ele começa a internar pessoas que são aparentemente sãs, normais, causando uma certa revolta nos moradores da vila.
É uma HQ perfeita para pessoas que apreciam a boa literatura e artes visuais, sendo também, na minha opinião, uma ferramenta maravilhosa para incentivar leitores de quadrinhos, sejam adultos ou crianças, a conhecerem autores tão preciosos. Espero que saiam mais HQ´s como essa!
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A Força da Vida - Will Eisner

Passeando neste fim de semana, fui a uma livraria e fuçando na seção de Quadrinhos (como já era de se esperar) encontrei uma HQ que eu já procurei por muito tempo: A Força de Vida, de Will Eisner.
Will Eisner é um dos pioneiros das HQ´s para adultos, e se consagrou com o seu personagem "The Spirit", que estará em breve nos cinemas sob um roteiro de Frank Miller (Cavaleiro das Trevas, Sin City e 300).
"A Força da Vida" é uma história escrita em 1978, que trata de moradores do Bronx tentando sobreviver a grande depressão da década de 30, com a ascenção da Alemanha de Hitler ao fundo. Eisner realmente viveu no Bronx e é quase uma auto-biografia quando se trata de um dos personagens, o desenhista chamado Willie que encontra problemas entre suas origens no judaísmo e a simpatia pelo movimento comunista.
O destaque da história fica na pergunta implícita que Eisner faz ao leitor sobre o que motiva os seres humanos a seguir em frente, a passar por situações extremas pela sua sobrevivência, e comparando essa "força" muitas vezes com a "força" das baratas.
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Action Comics #1 - 1938

Muito legal o que a gente encontra na internet, sem querer querendo. Pesquisando sobre algumas hq´s encontrei o link com imagens da primeira revista do SuperMan, e completa! O curioso é que inicialmente ele não voava, só "saltava" pelos edifícios. E ele tinha menos critérios de justiça, por exemplo, hoje em dia ele nunca jogaria um humano na parede com toda força, mesmo porque se fosse algo "real" ele mataria essa pessoa.
A explicação "científica" dos poderes também são engraçadas. Simplesmente dizem que ele vem de um planeta distante onde os seres são milhões de anos mais evoluídos e ganharam super-força com essa evolução. Aí vem um questionamento "No mundo atual isso já existe! Vejam as formigas, que aguentam centenas de vezes o seu próprio peso!" rs
A "época de ouro" dos quadrinhos é muito legal, um tipo de história mais inocente, igualmente aos desenhos animados antigos. Com o tempo as pessoas ficaram mais exigentes, e as tramas ficaram mais detalhistas, o que não deixa de ser uma evolução. Porém é gostoso relembrar aqueles tempos.
Quem quiser ver, o link é este aqui
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Watchmen O FILME

Primeiro, antes de mais nada quero dizer:
"PARABÉNNNNNNNNNNNNNNNNS, Zack Snyder!!!"
Agora sim. Zack Snyder fez uma proeza que, por anos, todos diziam ser impossível: fazer a maior Graphic Novel de todos os tempos se tornar um filme de duas horas e quarenta minutos.
A sensação ao assistir o filme foi de ver partes da HQ em movimento, sendo os personagens, os cenários e inclusive os ângulos de câmera, muito similares aos originais. A abertura do filme é um show a parte, com várias cenas "famosas" da HQ, e algumas que eram apenas narrativas e foram transformadas em imagens, e que só nos prepara para ver um filme chocante, denso, fortíssimo. Não é um filme pra qualquer pessoa assistir, definitivamente, pois antes de ter estômago é necessário estar com o cérebro em dia, pois se trata de uma história que é extremamente dinâmica, cheia de detalhes, alternando passado, presente e futuro, e como as pequenas atitudes transformam o destino da humanidade, como é relatado na teoria do caos.
O início idêntico da HQ, onde o "herói-anti-herói" Comediante é assassinado. Foi uma sequência perfeita de luta "padrão Matrix" com jogos de câmera lenta e aceleração de câmera, ao som do clássico "Unforgetable". Até o término em que ele é lançado por uma vidraça com "foco" no famoso "smile bottom" com a gotinha de sangue no ângulo de um ponteiro de relógio marcando cinco minutos para a meia-noite (no relógio do Juízo final).
O personagem Rorschach ficou perfeito, o seu nome vem do psiquiatra criador daqueles cartões "simétricos" que são mostrados em sessões de testes de psicologia, pois a sua máscara tem a característica de formar estes desenhos simétricos que se alternam o tempo inteiro. A voz dele é realmente como eu imaginava que seria, e a aparência dele nos dá até a idéia de que podemos sentir o seu mal-cheiro. Ele é o único "herói" que contraria a Lei Keene, que proíbe os mascarados de fazerem justiça com as próprias mãos. É ele escreve um diário, que fará toda a diferença na história da humanidade, quando começa a investigar a morte de seu colega. O ano é 1985, e o mundo está tenso, com medo de explodir a terceira guerra mundial. Richard Nixon é presidente reeleito até esta data por ser o responsável pela vitória na guerra contra o Vietnam.
Sim, nessa história os EUA ganharam poder de fogo com a presença do Comediante, e o Dr. Manhattan. Este último é um físico que sofreu um acidente dentro de uma câmara de táquions (partículas que viajam acima da velocidade da luz), que o desintegrou, mas o interessante é que ele conseguiu se re-estruturar sozinho, se tornando aquele cara azulão que brilha igual a uma lâmpada com o símbolo do Hidrogênio na testa. Quando ele passou por essa experiência, ele aprendeu a enxergar o mundo como um sistema sub-atômico, ele olha para as pessoas e não vê mais um ser-humano, e sim um conjunto de partículas que formam os átomos, que formam moléculas, células, até chegar ao nosso ponto de vista. Inclusive ele cita no filme a frase: "Estruturalmente um corpo morto é idêntico a um corpo vivo. A vida é supervalorizada por vocês, seres humanos."
Outro "poder" do Dr. Manhattan é a capacidade de enxergar o passado, presente e futuro ao mesmo tempo, que é bem traduzido nesta outra frase dele: "O design do tempo é como um diamante com faces, faces que são todas ligadas entre si num mesmo objeto. Porém, os seres humanos teimam em querer olhar apenas uma face de cada vez."
Um personagem muito interessante é o Coruja, que herdou essa indentidade de um outro herói de uma geração passada, os "MinuteMen". Ele é como se fosse uma mistura de Batman com Clark Kent. Ele tem um porão com uma nave, e vários apetrechos que se igualam aos de Bruce Wayne, porém na sua identidade secreta, ele é um homem covarde, inseguro e comodista. A sua coragem só aparece em situações extremas. Ele é parceiro do Rorschach, o mascarado que citei anteriormente.
Laurie é filha de outra heroína da geração passada. Ela é namorada do Dr. Manhattan, porém começa a sofrer com a falta de "senso de humanidade" do namorado, que começa a se tornar um ser cada vez mais alheio ao que os humanos se importam. Com isso ela vai buscar a atenção e o carinho do Coruja, e acaba sendo a responsável por fazê-lo voltar a vida de herói mascarado.
O misterioso "Adrian" Ozymandias, é considerado o homem mais inteligente do mundo, e é também o mais rico. Faturando milhões com o perfume "Nostalgia" e a franquia de bonecos e brinquedos baseados nos heróis, incuindo ele. É uma pessoa altiva, soberba e acredita que pode salvar o mundo. E é ele que o faz, de uma maneira eficiente, porém totalmente questionável.
Em resumo, é um filme que não dá pra ser assistido uma vez apenas, pois há muitos detalhes, muita reflexão, para as infinitas interpretações que podem ser dadas em seu desfecho. Ah! O desfecho!!! Sim, o final é surpreendente, pois foi alterada a maneira como Adrian "salva o mundo", porém os conceitos foram mantidos e respeitados e acredito mesmo que para o cinema não poderia ser nada idêntico ao da HQ, senão ficaria estranho. Achei genial, e mais coerente, dentro do possível, claro.
Alan Moore deu muitas alfinetadas nessa produção, e é radicalmente contra tudo que vem de Hollywood, mas creio que se ele assistir esse filme, lá no fundo ele vai dar o braço a torcer e admitir que conseguiram finalmente transformar a sua obra num filme "nada convencional". E creio que é isso mesmo que ele sempre desejou.
No fim, o filme me passou a mesmíssima impressão dos quadrinhos. Watchmen não é uma estória sobre heróis mascarados, e sim sobre pessoas, com seus problemas de caráter, personalidade e demasiadamente humanos. (com exceção do Dr. Manhattan, é claro)
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Dentro do Universo de "V de vingança"

Sei que nessa semana estou falando muito sobre obras de Alan Moore, mas é que a estréia de Watchmen realmente me empolgou a falar nesses assuntos (rs). Prometo ficar menos repetivivo uns 6 meses depois que assistir o filme!!! (brincadeira)
Lembrei de uma cena específica no Fime/HQ de "V for Vendetta". Acho maravilhoso como foi ilustrado o amor de V por Evey. Ele era um revolucionário, vezes muito frio, uma misteriosa "máscara" que pensa e fala com as palavras mais quentes ou as mais geladas do mundo, porém nunca mornas. Sempre ácido, vezes doce, vezes azedo, mas nunca "sem sal".
O que achei mais lindo na trama toda, foi a cumplicidade entre ele e Evey. Mas sinto que em algum momento V se perdeu em seus sentimentos, e o seu amor por ela foi tamanho que o fez praticar loucuras, com a justificativa de fazer o bem a ela. Ele simplesmente simulou uma prisão, a fez passar fome, rapou a cabeça dela, a torturou, e a fez pensar que um dia muito próximo ela seria executada como um criminosa.
A reação de Evey quando foi "liberta" por V, primeiramente foi ódio, um terrível ódio por ele fazê-la passar por aquilo tudo, fazê-la chorar, tratá-la de forma tão repugnante. Ela chega a perder o controle, porém ele olha através da máscara nos olhos dela e diz porque ele fez tudo isso. Ele fez pra livrá-la da prisão de verdade, fez pra que fosse liberada dentro dela uma força que ela mesma não acredita possuir. E a justificativa final que foi: "Because, I love you."
Isso sempre me faz pensar sobre, como atitudes loucas são muitas vezes justificadas em nome do amor. Primeiramente me vem a mente que é uma atitude deveras errada, pois erro é erro sempre, não importa se foi por amor. Mas indo mais a fundo, e deixando o tempo fazer a sua parte, vemos que a longo prazo, Evey é grata por ter descoberto o quão forte ela era, tão corajosa, tão resolvida e independente.
Pois sim, V já sabia que o seu fim era naquela estação de trem, e que quem apertaria o botão para que ele morresse lá seria ela! E que ele ia explodir o parlamento entre dinamites e fogos de artifício. Mas ele foi "embora" despreocupado, pois sabia que ela iria ter um lindo caminho dali para frente, ela seria livre. Ele foi feliz, por saber que ela seria feliz.
Se ele não tivesse morrido "na hora certa", com certeza seus objetivos seriam abafados com o tempo, e toda a "mágica" que ele realizou cairia por terra. E de um ídolo, ele se tornaria um vilão psicopata.
Já estou eu querendo misturar as estórias de V e de Efeito Borboleta. Chega! rs
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A Piada Mortal (1988) - Alan Moore e Brian Bolland
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"A Piada Mortal" foi a primeira HQ de Alan Moore que eu li. Até então eu não tinha idéia do roteirista genial que estava por trás daquela capa com o Coringa segurando uma máquina fotográfica. Só pela capa já se vê que a arte de Brian Bolland é, no mínimo, sensacional.
Nessa estória, o Coringa tenta enlouquecer o Comissário Gordon, levando-o como prisioneiro num parque abandonado, onde realiza um verdadeiro freak-show, com fotos de sua filha Bárbara baleada, deixando-o correndo nu pelo parque usando apenas uma coleira, entre outras cenas completamente insanas. Tudo isso é para provar ao Batman que qualquer pessoa pode enlouquecer diante de um "dia ruim".
E o ponto forte do roteiro, como todos roteiros brilhantes de Alan Moore, é que ele sai do comum, e do esperado. Ele não cria histórias engessadas do herói perfeito, combatendo o vilão e que tudo se resolve de uma maneira feliz no final. Ele faz uma profunda análise psicológica entre três personalidades, que são a base da trama toda: Batman, Coringa e Comissário Gordon.
É feito um paralelo entre cada personalidade, e depois tudo é centralizado na mente do Comissário Gordon, que até então viu o Coringa atirar e violentar sua filha, depois de deixá-la paraplégica. Mais próximo ao desfecho há uma certa troca de papéis, onde o Coringa parece estar mais lúcido, e quem enlouquece é o Batman. Dentro de uma análise mais profunda, podemos observar que Alan Moore vai contra todos os arquétipos e mitos das HQ´s comuns sobre super-heróis, ele de forma em que a "realidade" torna tudo mais complexo e interessante.
Há fatores bem sutis dentro da trama, como por exemplo, a piada que o Coringa conta para o Batman, no final, é uma analogia que ilustra o medo que ele tem de que o herói cause a ele uma segunda tragédia similar a que tirou sua sanidade.
O grande conjunto da obra se deve ao fato do roteiro fascinante, com uma jogada perfeita de tempo, com um fluxo genial entre ações do presente e lembranças, que são ilustradas e coloridas conforme o "clima" e o sentimento de quem lembra. As expressões dos personagens nos faz sentir como se estivéssemos a assistir um filme, de tão detalhadas. Com certeza, uma HQ que "sai" do papel, e não é mero entretenimento, é verdadeiramente ARTE.
Nota: Alan Moore é autor de roteiros como "V de vingança", "A liga extraordinária", "Do inferno" e "Watchmen" que tem sua estréia no cinema no próximo dia 6 de março.
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Marvel: 1602

Imagine o universo Marvel com a maioria de seus heróis principais, como Homem-Aranha, Demolidor, X-men, Quarteto Fantástico, Thor, Capitão América... todos juntos numa mesma estória. Mas agora imagine essa estória contada no ano de 1602, com cada um deles adaptados a essa época, costumes, nomes como "Peter Parquag" (Peter Parker) e Sir Nicholas Fury (Nick Fury), Sanguebruxos (Mutantes) tudo adaptado para uma época onde as coisas eram bem diferentes.
Muito legal, pra quem conhece e gosta do universo Marvel é um prato cheio, um universo completamente remodelado. Mas tem um fator que faz toda a diferença - Imagine se essa estória for contada por nada menos que Neil Gaiman, o criador de Sandman!!! Simplesmente fantástico, e na minha humilde opinião, acredito ser um verdadeiro clássico das HQ´s da Marvel.
A arte de Andy Kubert e Richard Isanove é de um bom gosto incrível, o sombreado e a colorização lembram pinturas a lápis ou carvão, mas com uma iluminação e cores surpreendentes. Não é a toa que foi premiado como a melhor Graphic Novel do ano pela QUILL AWARD 2005, que usa o critério de avaliação dos próprios "leitores" mediante a uma votação online.
Outro detalhe muito bonito é a técnica de "scratchboard" usada nas capas, onde se tem uma placa preta, e cria-se desenhos fazendo linha por linha pra dar efeitos de luz e sombra, o efeito é de um padrão de ilustrações de livros de história.
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Momento Curiosidade Watchmen I

Se você nunca leu Watchmen, em primeiro lugar, aviso que você não vai entender esse post, em segundo, se não leu, então leia!!! Pois você não sabe o que está perdendo. rs
Já li Watchmen "zilhões" de vezes, e cada vez que se lê essa estória, percebe-se algo de novo, no meio de tanta informação, tanto no roteiro quanto na arte. Watchmen é assim, cheio de detalhes, e para os observadores mais atentos é um "prato cheio".
Agora tem uma coisa que eu associei depois de um bom tempo, e que eu não percebi, talvez por ser muito óbvio e eu procurava detalhes mais ocultos. Mas achei genial a maneira que o respingo de sangue do Comediante cai sobre o seu "bottom de smile". O sangue é em forma de seta, que seria a seta dos minutos, que por muitas vezes aparece marcando 5 minutos pra meia noite.
Aí você pergunta: E aí? Mas o que isso quer dizer?
Ok, quem leu sabe exatamente o que quero dizer, mas vou explicar aqui. Essa história se baseia numa realidade paralela a nossa, em 1985, e o mundo está na tensão da Guerra Fria. Porém nessa realidade paralela, os EUA venceram o Vietnam com a ajuda do Comediante e do Dr. Manhattan. Essa tensão faz com que o clima do "fim do mundo" seja o assunto principal, e isso é colocado em vários detalhes dentro da estória, como na manchete de jornal no escritório de Ozymandias: "O relógio do Juízo Final marca 5 minutos para a meia noite".
A história se inicia com o assassinato do Comediante, dono do bottom de smile, e o sangue respingado "marca" cinco minutos para a meia noite, então com isso se vê o "sinal" que Alan Moore e Dave Gibbons criaram para que interpretássemos esse assassinato como o "início do fim do mundo", ou de sua salvação.
Pra quem leu, sabe que falo do fim, ou salvação, dependendo do ponto de vista.
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Asilo Arkham

Comprei Asilo Arkham quando eu tinha 14 anos de idade, era 1990, lançada pela Editora Abril. Lançado pouco tempo após o filme "Batman" de Tim Burton, esta estória de Grant Morrison e com a arte impactante e "maravilhosamente suja" de Dave McKean, trouxe de volta o aspecto mais obscuro e psicótico de Batman e os vilões de seu universo.
Batman é chantageado pelo Coringa, que mantém uma refém no Asilo Arkham, e é desafiado a passar um dia lá com seus piores inimigos, o próprio Batman começa a ter recaídas e se vê semelhante a todos os outros loucos que estão presos naquele lugar. A estória conta duas épocas simultaneamente, a atual com o Batman e os internos do Asilo, e a origem do Arkham, contando a vida de seu fundador, que tem o mesmo nome.
Em alguns momentos vemos destaques interessantes como, o tratamento com Harvey "Duas-caras" que começou a usar cartas no lugar da moeda, aumentando suas possibilidades de escolha, porém isso faz com que ele não consiga decidir rapidamente coisas simples como ir ao banheiro. Uma outra cena hilária é quando o Coringa recebe o Batman no asilo, e quando o Batman vira as costas ele mete a mão na bunda do Batman, causando uma reação nada amistosa no Morcego, porém o Coringa apenas responde: "Oras, eu toquei em algum nervo exposto, por acaso?"
Outro destaque são as citações de "Alice no país das maravilhas", que é um show a parte e se encaixa perfeitamente no contexto. No decorrer, Batman enfrenta a maioria dos vilões mais conhecidos, como o Crocodilo, Chapeleiro e Espantalho. Mas o ponto chave é ele descobrir um inimigo psicótico e que pode ser muito perigoso: ele próprio.
A arte é baseada em pinturas e colagens, que foge a qualquer padrão já usado em histórias em quadrinhos. O conjunto do roteiro obscuro e visceral com a arte "perturbadora" de McKean, nos leva a um universo insano, nos leva realmente a nos sentir dentro do Arkham.
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Maus, de Art Spiegelman

Há tempos queria ler esta HQ, e na semana passada eu a encontrei passando por uma livraria, lá estava ela no meio de revistas do Batman, Lanterna Verde e Sandman. Seu formato é mais similar a de um livro, por sua capa e número de páginas. Em sua capa, vemos um casal de ratinhos assustados, e atrás deles o símbolo nazista com um gato personificado como Hitler.
Ou seja, na capa já está claro que o autor, Art Spiegelman, fez uma versão de uma das histórias mais tristes da humanidade num padrão "Walt Disney", o antropomorfismo. Mas não se trata da história apenas do povo judeu em geral, mas sim é a história contada pelo próprio pai do autor, que viveu tudo aquilo "na pele".
Spiegelman desenhou os personagens separados por espécies, por exemplo, os judeus eram ratos, os alemães eram gatos, os americanos eram cães, os poloneses eram porcos e franceses eram sapos, porém, como li na própria obra, todos terrivelmente humanos.
A história mescla Vladek (pai do autor) contando a história para o filho Artie (o autor), e os seus traumas e problemas atuais em consequência de um passado tão terrível, e em meio as conversas com o filho, também há as cenas do início até o final da perseguição, as atrocidades feitas aos judeus, e tudo o que acontecia a ele quando foi aprisionado e levado ao campo de concentração, até a sua liberdade. Ele relata também como Vladek conheceu Anja (sua esposa), e como eles sobreviveram ao terror nazista.
Algumas vezes ele colocou fotos de pessoas reais no meio dos desenhos, uma foto de seu falecido irmão, e uma foto de Vladek com o uniforme de prisioneiro. Realmente, se trata de uma história forte, que apesar de ser contada milhares de vezes, é contada de forma única por essa obra de Spiegelman. Seus personagens "bichinhos" parecem inclusive ampliar o nosso entendimento da história, e quando li senti emoção, tristeza, indignação, algumas vezes ele trata situações (fora da guerra) com bom humor, inclusive a relação dele com o pai faz com que muita gente de identifique com o personagem algumas vezes.
Uma obra vencedora do prêmio Pulitzer em 1992, como "prêmio especial", pois o comitê não sabia se premiava como melhor obra de ficção ou como melhor biografia. Maus é uma obra genial, ela realmente ultrapassa o gênero "quadrinhos", é realmente um livro de história, muito bem ilustrado e com um conteúdo demasiadamente real, apesar dos personagens "fantasiosos".
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Preacher - Indo pro Texas

Depois de ler umas três vezes a edição encadernada de "Preacher - Indo pro Texas" com as sete primeiras estórias, me sinto a vontade em comentá-las. Essa série faz parte de uma coleção com 66 estórias, e 6 edições especiais com seus personagens específicos, fazendo uma brincadeira com os números, 666 edições (não sei se foi por acaso...rs).
"Indo pro Texas" é a coleção da origem de Preacher, é aí que conhecemos o personagem Jesse Custer, um reverendo que foi atingido por uma entidade chamada "Gênesis" (uma criatura concebida pela relação de um anjo e uma "demônia" rs), que lhe deu um poder especial de ter algo parecido com "a voz de Deus". Quando os olhos dele ficam cinzas e ele diz algo, todos os seres, sejam humanos, anjos ou demônios, não conseguem desobedecê-lo.
Também há dois parceiros que o acompanham, sua ex-namorada Tulipa, que está sempre de T.P.M. e o vampiro irlandês Cassidy, que é um personagem deveras irônico e divertido. Outro destaque é para o personagem "Cara de cu", que tem esse nome exatamente porque é o que você lembra quando o vê, e seus diálogos são sempre baseados na letra "f" devido a sua boca ser "daquele formato", por exemplo: "Foi!! fufo fem?" (Tecla SAP: Oi! Tudo Bem?). Como vocês podem notar, os personagens são, no mínimo curiosos.
Outro personagem que se destaca na estória é o "Santo dos Assasinos", um personagem meio "Clint Eastwood", só que ele é imortal, e as suas armas são mais letais do que o normal, mesmo porque suas armas matam até que está no além, ele mata até quem já morreu! E é ele que é "contratado" pelos anjos para perseguir o reverendo Jesse Custer acabar com ele e recapturar a entidade Genesis.
Numa das estórias, quando o reverendo descobre a origem do ser que está habitando nele, ele descobre uma coisa quando usa "a voz de Deus" pra tirar informações de um anjo. O anjo conta a ele que Deus abandonou o paraíso, e este mundo, e está desaparecido. E Jesse coloca um objetivo na vida dele, que é de encontrar Deus, e esclarecer os porquês dele ter abandonado a humanidade.
Preacher é uma obra escrita por Garth Ennis e desenhada por Steve Dillon, suas estórias no tradicional "preto e branco" são viciantes. É impossível ler "Indo pro Texas" e não querer ler as 59 restantes (fora as outras 6 edições especiais).
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O Longo dia das Bruxas - Batman

Como hoje é Dia das bruxas, nada mais apropriado do que fazer uma recomendação de uma das melhores HQ´s do Batman (fora Cavaleiro das Trevas, e Batman Ano um). a HQ "O Longo dia das Bruxas".
Inicialmente foi uma série lançada em 8 volumes para ser parte de um conjunto de histórias de "Legends of the Dark Knight", se tornando um clássico e consagrou Jeff Loeb (roteiro) e Tim Sale (arte). (Tim Sale é o quadrinhista que fez os desenhos dos quadros do personagem Isaac Mendes da série Heroes.)
A roteiro é elaborado num clima de estória policial estilo "vintage", onde o desafio lançado para o maior detetive do mundo é desvendar quem é o assasino serial denominado "Feriado". No decorrer, ele conta com a ajuda do Comissário Gordon e Harvey Dent, que se transformará no vilão Duas-Caras dentro dessa mesma estória.
Batman começa a analisar o modo de agir do assassino, e até sabe quando e como ele vai atacar a próxima vítima, e corre contra o tempo para impedir cada crime, sem muito sucesso. Os suspeitos são muitos, todos os vilões do Morcego aparecem durante a trama, com destaques para a Mulher-Gato e Coringa. Destaca-se também um vilão não muito conhecido, chamado "Calendário", um assassino serial que costumava fazer vítimas em dias comemorativos, porém ele está preso no Asilo Arkham e Batman conversa muito com ele para entender o assassino que está a solta, me lembrou muito partes da estória de Hannibal Lecter, pois "Calendário" se tornou um tipo de consultor para chegarem ao criminoso.
O próprio diretor do filme "Batman - O Cavaleiro das Trevas", que foi um sucesso absoluto de bilheteria, declarou que esta era uma das HQ´s de cabeceira enquanto trabalhava no filme. Inclusive podemos ver uma grande semelhança em como o personagem Harvey Dent (Duas Caras) se desenvolve desde um promotor que lutava contra o crime, até se tornar um vilão inimigo do Morcego. Mesmo o início se dá com a frase "I believe in Harvey Dent".
Há pouco tempo a Panini Books lançou uma versão encadernada de luxo com 400 páginas, com esboços de Tim Sale e alguns extras. Uma ótima leitura para os Batmaníacos, e também pra quem gostaria de começar a ler algo sobre o Homem-Morcego.
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O Ladrão da Eternidade - Clive Barker

Hoje fui com minha mulher e meu filho na 15ª Comix Fest! Tinham HQ´s em oferta de até R$ 1,00!!! Passeamos por lá, vimos algumas Action Figures da Liga da Justiça, Star Wars e Senhor dos Anéis, que me deixaram literalmente babando quanto ao realismo.
Tinha muita coisa legal lá, peguei as sete primeiras histórias de "Preacher" (que ainda vou comentar num post-posterior...rs) que custou a bagatela de nove reais (no mercado comum é 40), algumas do Batman, é claro por um real cada uma, e por fim um quadrinho que me chamou a atenção no meio de tantas revistas: "O Ladrão da Eternidade".
Estava andando e olhando aquele monte de HQ´s, dentro do que parecia uma feira-livre do tipo "uma dúzia é deeeez", até que vi o nome CLIVE BARKER que era maior que o nome do título. Como eu já conhecia o trabalho de Clive Barker em Hellraiser, fui até lá folhear, uma HQ "generosa" em páginas pela bagatela de cinco reais. Aí pensei: O Autor é bom, a arte é linda. Cinco reais tá de graça!
Cheguei em casa e li, em pouco mais de 30 minutos. Sinceramente quando li as duas primeiras páginas eu já ficava falando pra mim mesmo "olha issooooo, olha issooooo!!!". Quando terminei de ler, eu apenas pensei como AINDA não produziram um filme sobre isso, pois a história é ótima!!!
Clive Barker é um autor britânico conhecido pelo seu talento em histórias de terror e suspense. Stephen King o chamou de "o futuro do horror", porém esta história se trata mais de uma fábula com misto de fantasia e suspense. Incrível como ele conseguiu escrever uma fábula nesse formato, sem ficar uma história "B" de horror, ele fez a coisa na medida certa, terror e fantasia sem uma coisa atrapalhar a outra.
Se trata de um garoto chamado Harvey Swick, um garoto de dez anos de idade que é entediado com a rotina da vida casa-escola-casa, sem a mínima diversão. Até que em seu quarto aparece um "ser" chamado Rictus que promete o levar até um lugar onde ele poderá se divertir muito: A Casa de Férias do Sr. Hood.
Ele aceita o convite e conhece um lugar mágico onde todas as estações do ano se passam em um dia (me lembrou São Paulo...rs), e todos os seus desejos são realizados. Porém, mesmo com tanta diversão e "mimos", o garoto começa a estranhar aquele mundo, e desconfiar que algo muito terrível está por trás daquele ambiente aparentemente maravilhoso para uma criança.
A arte é de Gabriel Hernandez, que usa um estilo de traço distorcido e caricato para os personagens, o que ajuda muito a ilustrar o mundo mágico e maluco que pertence ao Ladrão da Eternidade.
Uma leitura que nunca tinha ouvido falar, mas que li há mais ou menos uma hora atrás e quero ler novamente. Quem tiver oportunidade, e gosta de histórias de suspense, leia!
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Batman - O Cavaleiro das Trevas (Frank Miller)

Não, não é o filme!
Apesar de ter adorado o filme, me reservo pra falar exclusivamente dele em outro post. Agora quero escrever sobre HQ´s, aliás, "A HQ" talvez mais famosa do Batman, e na minha opinião a maior história já contada sobre o morcego.
Frank Miller elaborou o roteiro e desenhou a história de um Bruce Wayne já com seus mais de 55 anos, e o Batman aposentado. Não pela idade, mas porque era uma época em que o governo norte-americano resolveu proibir os heróis de agirem. Era 1986, e o mundo estava naquela tensão da Guerra Fria.
Gotham City continua violenta, e o próprio Bruce começa a demonstrar um desejo incontrolável de voltar para as ruas. Até que um dia, no mesmo lugar onde ele teve a sua origem, o morcego volta a assombrá-lo e ele retorna pra combater o crime. Ele volta, porém um Batman diferente do que vinha sendo apresentado até então no mundo dos quadrinhos, mais violento, mais sombrio do que nunca, mas ainda com o contraponto de já estar com idade avançada que o impede que seja tão ágil como nos velhos tempos.
Um destaque é para a morte sugerida de Jason Todd (o segundo Robin) antes mesmo da série "Morte em família" ser publicada (dois anos antes), e a nova Robin (que é uma menina) mudando completamente aqueles velhos conceitos da dupla dinâmica. As "cores" da Robin não comprometeram o clima sombrio que Batman teve em sua origem. Outro destaque é quando ele cria finalmente coragem de matar o Coringa, que momentos antes diz ao Morcego: "Você está fora de si!", e a clássica surra no Super-homem.
Quem leu a HQ e assistiu "Batman Begins", com certeza se lembrou de algumas cenas da HQ, quando se fala da origem do Batman, no caso da "descoberta" da Batcaverna. Realmente tenho a impressão que foi uma forte influência para o roteirista do filme.
Enfim, é uma história muito detalhada, com muitos destaques. E que merece mesmo o título da melhor história já escrita sobre o Batman, de todos os tempos. Uma obra de arte, com roteiro impecável e, é claro a colorização de Linn Varley (esposa de Frank Miller) que formam um casamento perfeito.
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30 dias de Noite - Steve Niles

"Tente imaginar um lugar no mundo onde o Sol não nasce por trinta dias. Um lugar distante, quase esquecido e, ainda assim, habitado. Bem... Esse lugar existe e se chama Barrow. Trata-se de uma cidadezinha perdida na vastidão gelada do Alaska, cujos moradores já se habituaram às condições inóspitas do local e nem imaginam que algo terrível está para acontecer.
Mal sabem eles que a longa e gélida escuridão de Barrow será o cenário ideal para o banquete sangrento de um grupo de vampiros famintos.
A única esperança de sobrevivência dos habitantes da cidade está nas mãos de Eben e Stella, marido e mulher, e também os representantes locais da lei. Mas conseguirão eles salvar a cidade que amam ou o manto da morte cairá sobre todos para sempre?"
(fonte: Sinopse da HQ)
Eu até ia escrever, mas essa sinopse está perfeita e só me resta um comentário adicional e uma avaliação de quem já leu mais de 5 vezes. Os gráficos de Ben Templesmith são simplesmente perfeitos para a história de Steve Niles, eu chamaria os desenhos dele de um "realismo distorcido", pois o jogo de luz e sombras somados aos tons azulados da escuridão, e o vermelho-sangue (tem muito, acreditem) dão um toque único a essa história, que apesar de ser um conto de terror, no fim (por incrível que pareça) me passou uma impressão de uma história de amor.
Eu ainda não vi o filme, apesar de já ter saído há tempos no cinema. Mas tenho curiosidade em saber se as filmagens e a história são fiéis. Se forem, deve ser um filme excelente.
Vale a pena ler!
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Watchmen
"Who Watches the Watchmen?" (quem vigia os vigiliantes?)
Frase clássica do que eu considero um dos quadrinhos mais perfeitos já publicados, em matéria de roteiro e conteúdo. É uma trama maravilhosa, uma verdadeira obra literária (se eu puder classificá-lo assim, já que foi citada pela revista Time dentro dos 100 melhores romances desde 1923, sendo o único em forma de HQ).
Alan Moore é um dos melhores roteiristas que já li. Ele tem o dom de incomodar o leitor, de fazer quem está lendo suas histórias ficar literalmente de "cabeça-quente". Suas histórias sempre são muito complexas, bem elaboradas, e as principais tocam muito fundo no comportamento humano, na vida social e política. É quase um tapa na cara! hehe
Em Watchmen não poderia deixar de ser assim. A história foi publicada em 1987, e foi a responsável pela popularização do que chamamos de "graphic novel". Se passa no ano de 1985, num universo onde existem heróis mascarados, porém vivendo na realidade da Guerra Fria e o pavor que a humanidade estava naquele momento em passarem por uma Terceira Guerra Mundial. Os seus personagens, em sua maioria não tem super-poderes, passando por problemas psicológicos e éticos, são "heróis" com problemas "mortais".
Tudo se inicia com o assasinato do personagem chamado "Comediante", que fazia parte do círculo de heróis mascarados. Numa época onde os heróis foram obrigados por lei a se cadastrarem e foram proibidos de agir "fantasiados". Rorschach, levanta a hipótese dos heróis estarem sofrendo um tipo de perseguição. Em busca de pistas, em parceria com o "Coruja" eles se deparam com uma terrível surpresa.
No final, ocorrem coisas que nos fazem entrar em parafuso. Sobre quem é o mocinho, quem é o bandido. O que é certo, ou errado. E ainda a reação de cada herói com a situação em comum, é algo surpreendente.
Verdadeiramente, uma obra que prova que os quadrinhos são coisas de "gente grande". Agora adaptada para o cinema, promete ser bem fiel aos quadrinhos. E pelas críticas que ando lendo, acredito que até o Alan Moore terá que dar o braço a torcer dessa vez, já que ele mesmo disse que era impossível adaptar Watchmen para o cinema.
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