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O Evangelismo "Amo muito tudo isso"



Ontem eu estava no trânsito, e quem vive em São Paulo sabe que com isso há bastante tempo pra pensar em muitas coisas, observar, escutar CD´s inteiros, resolver um cubo mágico, enfim, qualquer coisa que demanda muito tempo. Então em algum momento vi um salão, abertão, cheio de cadeiras e um púlpito. Na placa da frente, tinha o nome: Igreja Mundial. Eu vi a igreja um pouco judiada, simplezinha, e até ri internamente pensando que se a Universal é o McDonald´s, a Mundial seria o Bob´s.

Quando fiz o comparativo, me veio um pensamento sobre a semelhança entre o Fast-food e algumas igrejas chamadas "neo-pentecostais". Elas parecem trabalhar um sistema de franchising, espalhando-se da mesma forma, com um marketing eficiente e super rentáveis. Segundo fontes, hoje é possível prestar concurso para ser pastor e ganhar um belo salário.

Mas eu fui mais fundo no pensamento, além do aspecto administrativo, e físico destas igrejas. Já perdi meu tempo assistindo na TV algumas partes pra ver como funciona, e como também já frequentei igrejas evangélicas que levam a sério o que pregam, então foi mais fácil identificar alguns pontos nestes programas de TV.

A prática "Fast-food" destas igrejas, também são semelhantes em se tratando do público. Por exemplo, o que uma pessoa procura quando vai comer numa rede como McDonald´s? Satisfação imediata, prazer, encher a barriga, tudo de forma muito rápida. O evangelismo dentro das igrejas-franquias são muito semelhantes! Eles te oferecem "graça", paz, cura de doenças, milagres e, principalmente, a prosperidade financeira. É o que chamamos de "teologia da prosperidade". Só se fala sobre isso nestes programas: - Gente que devia milhares de reais e quando "aceitou Jesus" deu a volta por cima e monta um império, e vira milionário; - Ou tinha alguma doença terminal e foi curado, deixando os médicos sem respostas. Tudo muito rápido.

A troco de quê? Fidelidade. (tem coisa mais "empresarial" do que fidelidade?) Hoje as empresas investem em fidelização, e a semelhança também se encontra nisso dentro de algumas igrejas. Porém eu não culpo os pastores, pelo menos não a eles somente. A culpa é do povo que só quer "Big-Mac", quer encher a barriga com coisas que não são nem um pouco nutritivas, ou seja, só querem ir onde vão escutar o que desejam "ouvir". E as pessoas comem o fast-food, criam o hábito, enchem suas artérias de gordura sem se importar e, inevitavelmente, infartam. Pelo menos, é assim que vejo "espiritualmente".

Algumas coisas demandam tempo pra aprender, e muitas vezes não é nada saboroso, mas é nutritivo. Eu não sou um exemplo pra ninguém, mas posso dizer que procuro escutar o que eu não gostaria de ouvir, mas que seja verdade. Eu não acredito que Deus "dá dinheiro", ou cura doenças terminais segundo "condições" para segui-lo. Dinheiro vem com trabalho (e olhe lá!). Eu acredito em Deus, mas creio que se eu passo alguma dificuldade ou sofrimento, é aí que Deus está para me dar forças. Deus não me dá peixes, ele me ajuda a pescar! E isso é ótimo. Saber que é capaz de superar limites só nos acrescenta mais e mais. É o que nos mantém vivos.

Em resumo, prefiro alimentar meu espírito com o longo aprendizado. O Fast-food é pra quem valoriza apenas o "agora", e isso definitivamente não é pra mim.

Martelando pregos



Prego.

E o martelo bate...

Pessoas em geral não vivem o que pregam. Isso porque sempre pregam mais do que vivem, tão distante é o que pregaram, que se tornaram cada vez mais difíceis de alcançar.

Não seria mais sensato pregar o que vive? Não falo dos pregos que furaram as mãos do que hoje vive e ainda sangra pelos que pregam levianamente o seu nome. E sim, viver genuinamente confome o seu exemplo, e aí sim pregar a própria vida. Afinal, os pregos que o atravessaram não foram exatamente pra isso?

Pregar o que não vive é como bater com o martelo e acertar o dedão. Que incha muito, mas não tanto quanto o ego de quem se condena em pregar uma imagem que construiu de si mesmo, que de tão mal pregada se solta, e com o tempo cai no chão e vira cacos.

O martelo sempre bate.

Bate nossos pregos mais terríveis.

Terríveis, tão terríveis, que fazem até Deus chorar.

A piada mortal no senado



O Conselho de ética, liderado por nada mais nada menos que Lex Luthor, finalmente conseguiu arquivar 11 das 59.763 acusações contra Sarney. Segundo muitas pessoas que se revoltaram, questionam como pode o Conselho de ÉTICA fazer uma coisa dessas?

Enfim, nessa vida tudo é uma questão de ponto de vista. Parceiros de crime também tem ética, e não se acusam (a não ser por um fator um pouco mais per$ua$ivo).

...

É também acho essa piada sem graça. Aliás, preferia que fosse apenas uma piada.


Da esquerda para a direita: Rha´s Al Ghul, Lex Luthor e Charada (sem a máscara).

A vida com sustenidos



Não é necessário ser um expert em teoria musical pra saber o que são sustenidos e bemóis. É só olhamos para um teclado de um piano, e vemos aquelas teclas pretas que ficam entre as brancas. Estas teclas são intervalos de tons, por exemplo: Entre Dó e Ré temos uma tecla preta, e ela pode ser Dó#(Dó sustenido) ou Réb(Ré bemol), são dois semintons com a mesmíssima afinação e timbre.

Em partituras, podemos ver também as claves, por exemplo, de Fá (sons graves) e de Sol (sons agudos), onde entre tons e semitons vemos os sinais de sustenido e bemol, algumas vezes.

Falei primeiramente sobre tons e semitons pra chegar no assunto que escreverei agora e me fazer entender. Na verdade quero falar da vida, do cotidiano, e fiquei refletindo sobre vida, música, e suas semelhanças.

Pensei nesta manhã naquela velha história sobre enxergar situações e vê-las como um copo "meio cheio", ou "meio vazio", e percebi que são como os semitons. Podemos olhar uma nota como um sustenido (meio tom acima) ou um bemol (meio tom abaixo), sendo que a nota é a mesma. Podemos pensar na vida como seria maravilhosa se tudo fosse em clave de Sol, tudo sempre "up", agudo, efusivo (efusivo??? parem tudo!). Alguém neste planeta consegue viver só de sons agudos? Conseguem imaginar o quanto os nossos ouvidos ficariam cansados em escutar sempre as mesmas notas agudas e estridentes?

Seria um inferno. E é por isso que precisamos da clave de Fá. Precisamos dos sons graves, daqueles tons em oitavas bem abaixo, bem "down". Que da mesma forma seria um inferno escutá-las isoladamente o tempo inteiro. Ou seja, a vida é uma música maravilhosa, com uma harmonia perfeita, com seus graves e agudos muito bem equilibrados. Alguns momentos temos mais ênfase em uma ou outra clave, mas isso não torna a música ruim, muito pelo contrário, se torna uma harmonia muito mais rica!

Isoladamente, um semiton em bemol é tão belo, ou não, aos ouvidos, como também os sustenidos. Seja meio tom abaixo, ou acima, aquele semitom está ali porque se encaixa perfeitamente no conjunto de toda a harmonia. Há tempo de sustenidos, há tempo de bemóis.

Há tempo de Fá´s há tempo de Sol. E há tempo de tudo ao mesmo tempo.

A vida é uma música maravilhosa quando enxergamos com os olhos de um bom ouvinte.

#Forasarney, nota... 10?


(clique para ampliar)

Dificilmente alguém não viu a campanha #forasarney divulgada no Twitter. Pra quem não usa o Twitter, o # antes de uma palavra se torna automaticamnte uma "palavra-chave" dentro do sistema, ou seja, se você escrever um post com #forasarney dentro do texto, automaticamente será indexado como parte das pesquisas sobre o assunto.

Enfim, a repercussão da campanha do protesto "digital" foi grande, sendo divulgada inclusive nos principais jornais. E o exemplo da foto acima mostra que virou até resposta em avaliações de escola. Na imagem acima a professora colocou uma questão sobre a opinião dos alunos sobre os motivos do povo brasileiro não protestar como antigamente, contra políticos corruptos.

O impressionante é que o aluno em questão respondeu exatamente como se estivesse no Twitter! Com direito @ antes do "nome", que é o padrão de resposta dentro do microblog.

E aí que está. De qualquer forma, mesmo sendo um protesto, definitivamente o aluno deixou claro que os protestos de hoje não são mais como antigamente. Não querendo desmerecer a campanha, que tomou uma grande dimensão, mas definitivamente, por maior número de manifestantes que tenha, o efeito não é o mesmo que os antigos protestos, onde pessoas davam a cara pra bater, e se envolviam. Hoje é só um monte de #´s e @´s, que vai resultar numa tag assim:

@todostwiteiros - #pizza

Uma pena.

...

Imagem: GordoNerd

In-politicamente correto



Hoje vemos em inúmeros lugares pessoas rotuladas de "politicamente corretas". Aquela tal atitudezinha que faz aquela pessoazinha ser aprovada por uma maioria na sociedade porque segue as regrinhas estabelecidas baseadas num senso-comum desse mesma maioria. Tudo muito certinho, com muitos "inhos" mesmo.

Fico pensando até que ponto, e quais os critérios pra alguém dizer o que é, ou não, politicamente correto. Tem coisas que podem ser corretas pra uns e incorretas pra outros. Eu acho isso muito chato! É aquele mundo certinho demais, pessoas normais demais, onde não existem conflitos, nem erros, nem intolerância... Ops! Intolerância tem sim! Quem não é politicamente correto, é visto de maneira preconceituosa, como alguém que não respeita diferenças, mas... Que confusão! Ser diferente dos politicamente corretos não deveria ser algo a ser respeitado por estes tão perfeitos seres?

Hmmmm... Pois é, hipocrisia pura. O que falta mesmo na humanidade não é a habilidade em ser certinho perante as pessoas, e sim o respeito e o amor ao próximo, que na verdade não é uma regra e sim algo que facilmente podemos entender quando olhamos no espelho.

Se é pra ser rotulado de algo, me rotulem de In-politicamente correto. Posso estar correto em não ser "politicamente correto"... Correto?

Never Surrender



Na vida sempre temos inúmeras fases difíceis, é natural que as coisas saiam fora do planejado algumas vezes, surpresas existem. Mas existem fases que são verdadeiras "coleções" de fases difíceis, e hoje me sinto dentro de uma delas.

Já desanimei, re-animei, ri pra não chorar, chorei por não conseguir mais rir, cansei, "descansei", gritei, sussurrei, e tudo mais dentro do ciclo que continua até então. Porém o saldo positivo, se posso chamar assim, é que hoje me sinto mais forte e mais maduro do que no início da fase. Sinto como se eu estivesse liderando um pequeno exército, contra um exército inimigo dezenas de vezes maior, mas hoje não o vejo com medo, eu o enfrento de uma maneira mais sensata, mais planejada, estruturada. Mas como o exército inimigo é bem mais numeroso, algumas vezes parece não ter fim, e isso cansa, cansa mesmo.

Mas eu luto. A luta é grande, mas a vitória é maior ainda.

Sou desse tempo!



Imagine pra saber de algo ter que ir a uma biblioteca?

Ruim, cansativo, sem comodidade? É Melhor agora?

Já parou pra pensar como é bom sair de casa, caminhando até a biblioteca e pensando coisas da vida, tendo idéias brilhantes, até chegar na biblioteca? Já pensou como seria legal, no local de sua pesquisa conhecer pessoas novas, com interesses em comum, e "de verdade"?

Folhear livros e mais livros, ter contato com o mundo real, do jeitinho que ele é. Não sofrer de tendinite, ou problemas sérios de coluna, nem problemas de visão por tantas horas na frente de um monitor. Tudo "menos exposto" sobre você, menos fofocas, menos pessoas observando informações sobre sua vida, e sim contemplando apenas o que você é. Tudo mais "olho no olho".

Melhor agora???

Mais rápido, mais eficiente talvez por isso, mas melhor... hmmmmmm.

O que importa mesmo?


Tenho pensado muito sobre a importância das coisas, e como essas coisas podem, ou não, ser um problema diante de diversos paradigmas. Pra alguns, é tão importante ter um carro zero, ou simplesmente ter um certo status, para outros o problema maior é solidão, dificuldades em ter alguém pra amar e ser amado. E sucessivamente, observamos casos e mais casos onde problemas de alguns são tão mínimos quando colocados próximos ao que realmente importa.

Eu mesmo penso muito no que tenho feito nesses 32 anos e uns meses, penso muito se eu me for, o que vou deixar como herança. Não falo de dinheiro, primeiro porque não tenho mesmo, segundo porque se tivesse ele seria gasto em dias, meses ou anos. Falo daquela herança que não se gasta, que é o que fazemos e deixamos como exemplo, ou das coisas que fazemos em vida pra quem precisa de nós. Pode ser um filho que envelhece dizendo: "Poxa, como meu velho faz falta, ele me ensinou tanta coisa boa." Ainda alguns amigos que dizem: "Brindemos a memória do nosso amigo, que perto ou longe, soube ser amigo e sua companhia agradável sempre será lembrada."

Todos nós vamos embora um dia, não há dúvidas. Mas o que faz de alguém imortal? O corpo pode morrer, se decompor, mas eu acredito na imortalidade da essência, da alma, do espírito de uma pessoa que lutou a vida toda por um propósito, e não se corrompeu, nem mudou seus princípios para o que convém. Manter-se firme não é fácil, e talvez sejam tão poucos os imortais que conhecemos hoje em dia.

Quero lutar pelos meu propósitos, ter meus princípios incorruptíveis, e um dia, quando eu me for, seja hoje, daqui um mês, ou dos muitos anos que virão, que eu seja lembrado como alguém que viveu dando valor ao que realmente importa. Assim iria feliz, por saber que de alguma forma continuaria vivo.

Velas dos que velam


Quantos significados e simbolismos que rodeiam as velas. Podem estar presentes no sentido religioso, são acesas para Deus, ou para o diabo. Algumas vezes para os dois ao mesmo tempo, ou para anjos da guarda. Para o bem de alguns e para maldição a outros.

Quando uma pessoa se vai, há o velório, onde o corpo é velado. Velar, vigiar, cobrir com véu, despedir-se. E as velas? São acesas novamente. Símbolo que representa luz para quem se foi, ou pra quem fica?

É aniversário de alguém, cantamos "parabéns" e ao final apagamos uma vela, muitas vezes após fazer um desejo. Sempre pensei sobre o motivo de apagar a chama do desejo ao invés de acendê-la. Por exemplo, cantamos e ao final acendemos uma vela, e deixamos o tempo e o vento apagá-la. Ao meu ver, um simbolismo mais realista.

Fazemos um jantar especial para quem amamos, abrimos um bom vinho, e acendemos as velas para criar um clima mais romântico e especial. Particularmente acho que a extensão do jantar é especial quando também é feito à luz de velas, que também são muito úteis nesses momentos, tornando tudo mais caloroso e intenso.

Apagaram as luzes, faltou energia. A vela está ali para não ficarmos em trevas. Mas, há de se ter cuidado para que a vela seja velada, pois se a vela tombar, a sua pequena chama pode causar um desatroso incêndio.

No fim, a vela sempre nos leva para onde o vento sopra.

...Chega a bonança!

Fernando Pessoa é... fantástico.

Em alguns momentos lamento pelo tempo que perdi em não lê-lo antes. Mas o próprio texto que reproduzo a seguir já me mostra, inclusive, que não devo lamentar-me e simplesmente seguir em frente. Não poderia deixar de publicar aqui um pensamento tão rico. Boa leitura!

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és...

E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão."

Fernando Pessoa

Armadura-essência (Amadurecência - parte 2)



No post anterior falei sobre rir de si mesmo, aceitar a condição do espírito jovem, no sentido divertido da coisa, e não o imaturo, obviamente. Pensando bem, observo que quanto mais vamos nos tornando maduros (na teoria), formamos uma verdadeira armadura medieval, afim de nos protegermos de possíveis golpes que inevitavelmente tentam nos ferir. Não generalizando, mas é que sinto na maioria das pessoas algo estranho, como se fosse um receio de ter fé (não falo de religião), de amar, de parecer infantil ou adolescente. É quase aquela atitude imatura que tínhamos na escola, de tentar parecer independentes aos 9 ou 10 anos de idade, pra fazer bonito com os amiguinhos... enfim, é um receio de se descobrir mais emocional do que racional, a ponto de racionalizar tudo em todo instante. Mas o que é a vida sem emoção? Ou então, o que é uma vida de pura razão?

Vendo meu filho nascer, como já relatei, eu ria e chorava ao mesmo tempo, senti a maior emoção da minha vida. Adoro falar que AMO, quando eu amo, o maior número de vezes possível. Tenho como filosofia de vida cuidar da vida alheia, e de uma forma bem específica - tenho no meu coração ajudar quem precisa. Já participei de trabalhos voluntários onde reabilitávamos moradores de rua, joguei cobertor em cima de um velhinho que tremia de frio numa noite congelante, dei prato de sopa pra gente que não via comida há dias, ou semanas... Hoje, meio relaxado, com o cotidiano me consumindo, faço uma única coisa enquanto não retorno: Oro por todos que tenho no coração, e peço a Deus por mais corações sem armaduras nesse mundo. Independente de religião, ou se as pessoas crêem ou não, eu creio que faço a minha parte de coração aberto. E também tento fazer mais, pois ainda acho pouco.

A vida passa, e vemos que picuinhas, provocações, e outras infantilidades (não saudáveis) nada são além de perda de tempo. Quando olho pro meu filho de um ano e meio de idade, sinto o exemplo que tenho que dar a ele, cada vez que ele repete coisas que digo e faço. Quando eu me for, quero ser lembrado como uma pessoa que deixou mais coisas boas do que ruins.

Hoje sinto que estou metade emocional, metade racional. E espero que eu não precise de armadura alguma tão cedo, pois não estou em guerra com ninguém, essa não é a minha essência. Ainda bem.

Amadurecência



"A poesia prevalece!!!
O primeiro senso é a fuga.
Bom...
Na verdade é o medo.
Daí então a fuga.
Evoca-se na sombra uma inquietude
uma alteridade disfarçada...
Inquilina de todos nossos riscos...
A juventude plena e sem planos... se esvai
O parto ocorre. Parto-me.
Aborto certas convicções.
Abordo demônios e manias
Flagelo-me
Exponho cicatrizes
E acordo os meus, com muito mais cuidado.
Muito mais atenção!
E a tensão que parecia não passar,
“O ser vil que passou pra servir...
Pra discernir...”
Pra pontuar o tom.
Movimento, som
Toda terra que devo doar!
Todo voto que devo parir
Não dever ao devir
Não deixar escoar a dor!
Nunca deixar de ouvir...

com outros olhos!"

* primeira faixa do álbum "O Segundo Ato" - O Teatro Mágico

Ser amadurecente é rir de si mesmo, das atitudes outrora infantis e juvenis, e reconhecê-las. Afinal, todos nós temos uma parte adolescente em nós, por mais que tentássemos negar. Eu mesmo creio que nada mais adolescente do que manter um blog!!! (risos). E realmente, não vejo isso como algo ruim! Muito pelo contrário. Tem que ter maturidade pra não se preocupar com o que os outros pensam, saber se divertir, pensar de maneira jovem (não confundir com imaturidade) não faz mal a ninguém, e dá mais prazer em viver.

Tenho momentos infantis também (e porque não?), pois pra brincar com meu filho eu rolo no chão, brinco de lutinha, jogo video-game, faço zilhões e zilhões de caretas só pra vê-lo dar aquele riso gostoso. Sem falar na minha tosquidão, adoro ser tosco!!! É bom demais ser livre assim! Digo isso porque eu me vi me tornando adulto demais, e um "adulto muito adulto" é sempre um mala-sem-alça, Deus me livre disso! (risos)

Quero envelhecer com o melhor de todas as fases, quero ler quadrinhos, sem deixar de ler bons livros. Jogar video-game, e ficar com a mão doendo passando as fases do jogo, sem deixar de passear com minha família em um parque e aproveitar um dia ensolarado. Assistir "The Simpsons" e rir muito, e assistir desde histórias maniqueístas, como Batman, Heroes, X-men e afins... até as mais "cults" como Watchmen. Fazer sexo, sem deixar de fazer amor. Contar piadas pros amigos no boteco, sem deixar de chorar junto com eles nos momentos mais sérios. Tudo isso traz um certo equilíbrio, do qual eu havia me esquecido e felizmente resgatei!

O dia que eu chegar a ser um amadurecente, ficarei mais do que realizado! Imagino eu, se eu pudesse estar nos meus 15 a 20 anos de idade, porém com a pequena experiência de vida que tive até hoje. É saber olhar o passado, sem renegá-lo, pois é ele que nos constrói pra sermos o que somos no instante agora.

Como diz a poesia, é nunca deixar de ouvir, porém com outros "olhos". ;-)

Lei Moral e Instinto


“Certas pessoas, por exemplo, me escreveram perguntando: “Isso que você chama de Lei Moral não é simplesmente o nosso instinto gregário? Será que ele não desenvolveu como todos os nossos outros instintos? Não vou negar que possuímos esse instinto, mas não é a ele que me refiro quando falo em Lei Moral. Todos nós sabemos o que é ser movido pelo instinto - pelo amor materno, pelo instinto sexual ou o instinto da alimentação: sentimos o forte desejo ou impulso de agir de determinada maneira. E é claro que, às vezes sentimos o desejo de intenso de ajudar outra pessoa. Isso se deve, sem dúvida, ao instinto gregário. No entanto, sentir o desejo intenso de ajudar é bem diferente de sentir a obrigação imperiosa de ajudar, que o queiramos, quer não. Suponhamos que você ouça o grito de socorro de um homem em perigo. Provavelmente você sentirá dois desejos: o de prestar socorro (que se deve ao instinto gregário) e o de fugir do perigo (que se deve ao instinto de auto-preservação). Mas você encontrará dentro de si, além desses dois impulsos, um terceiro elemento, que lhe mandará seguir o impulso da ajuda e suprimir o impulso da fuga. Esse elemento, que põe na balança os dois instintos e decide qual deles deve ser seguido, não pode ser nenhum dos dois. Você poderia pensar também que a partitura musical, que lhe manda, num determinado momento, tocar tal nota no piano e não outra, é equivalente a uma das notas do teclado. A Lei Moral nos informa da melodia a ser tocada; nossos instintos são meras teclas”.

"Há outra maneira de perceber que a Lei Moral não é simplesmente um dos nossos instintos. Se existe um conflito entre os dois, e na mente dessa criatura, não há mais nada além desses instintos, é óbvio que o instinto mais forte deve prevalecer. Porém, nos momentos em que enxergamos a Lei Moral com maior clareza ela geralmente nos aconselha a escolher o impulso mais fraco. Provavelmente, seu desejo de ficar a salvo é maior do que o desejo de ajudar o homem que se afoga, mas a Lei Moral lhe manda ajudá-lo, apesar dos pesares. E, em geral, ela nos manda tomar o impulso correto e tentar torná-lo mais forte do que originalmente era - não é verdade? Ou seja, sentimos que temos o dever de estimular nosso instinto gregário, por exemplo, despertando a imaginação e estimulando a piedade, entre outras coisas, para termos força para agir corretamente na hora certa. E, evidente, porém, que, no momento em que decidimos tornar mais forte um instinto, nossa ação não é instintiva. Aquilo que lhe diz: “Seu instinto está adormecido está adormecido, desperte-o”, não pode ser o próprio instinto. O que lhe manda tocar tal nota no piano não pode ser a própria nota”.

“Há ainda uma terceira maneira de ver a Lei Moral. Se ela fosse um de nossos instintos, seríamos capazes de identificar dentro de nós um impulso que sempre pudéssemos chamar de “bom” segundo a regra da boa conduta. Mas isso não acontece. Não existe nenhum impulso que às vezes a Lei Moral não nos aconselhe a inibir, nem outro que ela não nos encoraje a praticar de vez em quando. É um erro achar que alguns de nossos impulsos, como o amor materno e o patriotismo, são bons, e outros, como o instinto sexual e a agressividade, são maus. Tudo o que queremos dizer é que existem mais situações em que o instinto de luta e o desejo sexual devem ser contidos do que situações em que devemos conter o amor materno e o patriotismo. No entanto, em certas ocasiões, é dever do homem casado encorajar seu impulso sexual, e do soldado fomentar sua agressividade. Existem também oportunidades em que a mãe deve refrear o amor pelo filho, ou o homem deve conter o amor por seu país, para que não cometam injustiças contra outras crianças ou outros países. A rigor, não existem impulsos bons ou impulso maus. Voltemos ao piano. Não há nele dois tipos de notas, as “certas” e as “erradas”. Cada uma das notas é certa para uma determinada ocasião e errada para outra. A Lei Moral não é um instinto particular ou um conjunto de instintos; é como um maestro que, regendo os instintos, define a melodia que chamamos de bondade ou de boa conduta”.

Trecho do livro "Cristianismo Puro e simples", e C.S. Lewis.
Autor de As Crônicas de Nárnia.

Momento para pensar na vida...

Agora é meia-noite e meia, já é segunda-feira e estou sem sono.

Poucas horas atrás recebi uma notícia profundamente triste sobre a morte de uma pessoa muito querida, que é pai do meu grande amigo e irmão. No momento da notícia eu fiquei mudo, e simplesmente não sabia o que dizer, pois senti um choro preso dentro de mim e profunda tristeza.

Depois, nessas últimas horas antes de começar a escrever, pensei em duas faces dessa tristeza e sofrimento. Ao mesmo tempo é a dor da saudade, pois parece que passa um filme em nossa mente, de vários momentos com aquela pessoa, é como se você tivesse se esforçando para fazê-la voltar a vida com a força das lembranças, mas a dura realidade mostra que isso não seria possível.

A segunda face é a dor de ver as pessoas sofrendo de forma terrível por essa perda, é uma sensação dupla de impotência, porque por mais que possamos fazer algo, nada poderíamos fazer para impedir a morte, e também nada poderia trazer a pessoa de volta. Sei que é muito duro ver pessoas que amamos sofrer, chorar, enfim... passar por um acontecimento tão doloroso.

É um momento em que muitas pessoas questionam a Deus, o porque dessa situação. Porém, eu não acredito que isso é um resultado de um puro capricho, ou sadismo por parte dele. Pois por mais que passemos por situações onde o fardo se torna tão pesado, temos a mania que atribuir que é ele que nos coloca esse peso sobre nossos ombros. Será?

Não, provavelmente não. Pelo menos quando me lembro de uma passagem em que Jesus diz: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve." Mateus 11:28-30

Ou seja, ele nos alivia, e não o contrário. Por mais que a carga seja pesada, o que faz a diferença quando confiamos e cremos em Deus, é sentir verdadeiramente o quanto ele nos conforta. Ele nos ajuda sim a continuar com a vida, nos dá forças. É claro que sempre sentiremos falta das pessoas que se foram, mas é a certeza que tenho no meu coração, de que as nossas vidas não se limitam apenas a esse mundo cruel, que me alivia e torna o fardo mais leve, mesmo quando chorar é inevitável.

Vício "inofensivo"



Esta semana que passou li sobre um software chamado i-Doser, que nada mais é do que um programa que "toca" sons de 5 minutos a 1 hora, que são verdadeiras doses com efeitos similares aos das drogas, seja álcool, calmante, entorpecentes em geral. Mas o que é anunciado pelos criadores do sistema é que os efeitos são os mesmos, porém sem danificar o corpo com as substâncias.

A primeira vista parece algo inofensivo, e é um assunto, no mínimo curioso. Nas instruções diz que a pessoa deve se deitar, colocar um fone de ouvido de alta qualidade e fechar os olhos, como em um relaxamento. E caso queira sair da "viagem" existe uma dose chamada "reset", que faz o cérebro voltar para a frequência normal. Segundo os criadores, este sistema é inofensivo e não causa dano algum, e se trata de um estudo de como o cérebro recebe estas frequências e conseqüentemente liberam tais substâncias equivalentes as que são liberadas com o uso das drogas, resultando no efeito sem "ingestão".

Com isso, eu questiono até que ponto o simples fato de não causar danos físicos pode fazer com que uma droga, mesmo que virtual, seja considerada inofensiva. Sabemos que apesar de virtual, traz resultados reais, e estes podem levar ao vício da mesma forma. Eu acredito que o dano físico é uma das desvantagens, mas não é a principal. Hoje em dia, pessoas matam outras pessoas, roubam, destroem famílias para sustentar um vício. Não é só o viciado que é prejudicado, a sociedade toda sofre com isso.

Será que com as doses virtuais do i-Doser, pessoas também não vão se destruir da mesma forma? O que garante que a pessoa não vai se tornar dependente? Será que não vai se tornar ainda mais um instrumento de "fuga" da realidade e alienação da humanidade?

Não sou ninguém pra anunciar um "apocalipse", mas isso me preocupa.

Novo visual!

Como vocês puderam notar, fiz uma alteração no layout deste blog. Pois primeiramente, eu apenas havia colocado uma montagem no cabeçalho, pra poder iniciá-lo, mas como sou fã do bom gosto, e extremamente perfeccionista, quis dar um toque mais artístico nele.

A imagem que montei, mostra um aviso sobre "Chão molhado", entre os neurônios. E é de livre interpretação, mas primeiramente fiz com a intenção de mostrar que estou com a mente limpa, de maneira bem humorada, claro.

Na verdade usei o mesmo cabeçalho, porém apliquei ele agora de forma mais organizada, coloquei um box mais legalzinho na barra lateral, e coloquei uma "tagcloud" no cabeçalho para deixar as categorias "flutuando" entre os meus neurônios...rs

Como o título é em relação ao meu cérebro, neurônios e etc. Coloquei como detalhe de cada post um neurônio marcando cada um deles, com a data de postagem marcada. Apesar de eu ter poucos neurônios, aqui no blog eu posso colocar quantos eu quiser pra parecer inteligente.

Espero que tenham gostado, pois tenho recebido elogios, via comments, ou fora dos comments, muito motivadores. Agradeço a visita de vocês, amigos, seu apoio e carinho são muito importantes, sempre. E o mínimo que posso fazer é agradecer e deixar este espaço mais bonito de se ver.

Tanto no layout, quanto nos posts, que serão sempre de assuntos diversos, entretenimento, tecnologia, pensamentos, humor, e se possível, nunca sobre "lavar roupa suja", que é uma coisa boba demais e deprecia o blog...rs

Obrigado a todos!!!

Infantilidade versus Criancice


Hoje é dia das crianças!!! Parabéns a todos que sabem ser criança!

Eu mesmo adoro ser criança!!! (não confudir com infantilidade)

Ser criança é muito bom! Quando somos crianças, independente de idade, nós somos mais felizes! Porque sabemos dar valor às coisas que realmente importam na vida. E admito que eu tinha perdido um pouco da criancice na minha vida, e tenho aprendido muito com meu filho agora, estou conseguindo voltar a ser criança, ao invés de infantil.

A infantilidade já é diferente, infantilidade é um conjunto de atitudes imaturas (coisa muito natural na maioria dos adultos). Aquele tipo de atitude de "chamar o irmão mais velho" pra garantir um desaforo a alguém, ou ainda juntar uma turminha e ser uma pessoa diferente quando "anda em bando". Isso realmente é o fim pra um adulto, só falta mesmo usar fraldas. (rs)

Infelizmente a idade adulta prejudica a muitos, que carrega essa coisa de andar em bando (o que é natural) porém usar esse "bando" como um "escudo" pra humilhar outras pessoas (o que é ridículo). É aquele velho problema da auto-afirmação, zoar o amigo nerd da escola, pra ser aceito na turminha dos pseudo-espertalhões. Coisa de quem realmente tem problemas sérios em aceitar a si mesmo. 

Mas vamos falar das coisas boas, afinal o dia é da criança, e não dos imaturos. Uma das coisas que me fascina nas crianças, é a sinceridade em sua essência. Aquela sinceridade que vai além de palavras, vem do olhar, da alma mesmo. Aquela coisa de dizer o que se pensa, sem se preocupar com nada, ao invés daquele velho "tapinha nas costas" pra fazer média. Pra ser criança, eu mesmo vejo que ainda preciso aprender muito. Mas o caminho eu já comecei a trilhar com certeza.

E viva as crianças, de todas as idades!!! Parabéns pra todos!!!

 


Highlander´s Brain